09/01/2011

Santa ceia como memorial

O que significa celebrar a Santa ceia como memorial de Cristo?


Memória, no sentido bíblico, é muito mais do que fazer uma simples lembrança. É uma palavra-chave da Santa Ceia que só pode ser entendida dentro de uma referência histórica de um povo relacionado com seu Deus.

MEMORIAL = ATO/PROFISSÃO DE FÉ

Jesus assume o memorial de seu povo. Ele foi alguém inserido no meio de uma cultura. Identificou-se com sua história. Sua opção de vida em favor dos pobres o levou a ter uma vida de despojamento e doação. Tinha consciência de suas opções em favor do povo, o que o levou até a morte.

Para celebrar a sua despedida, convocou Pedro e João para prepararem uma ceia (Mt 22, 8). Junto com sua família, participou desde a infância da cerimônia da grande festa pascal.

Israel celebrava a páscoa como memorial dos “grandes feitos” de Deus em favor de seu povo. Ao longo da Antiga Aliança, percebemos que o povo de Israel re-cria, renova e atualiza a intervenção de Deus presente no meio do povo. “Nesse dia, você explicará ao seu filho: Tudo isso é pelo que Deus fez por mim, quando eu saía do Egito” (Ex 13, 8).

O memorial está na vida de cada israelita, como profissão de fé ao Deus único. É celebrado como agradecimento e súplica confiante. Ele faz referência ao passado, é atualizado no presente e abre-se ao futuro: “Esse dia será para vocês um memorial, pois nele celebrarão uma festa ao Senhor. Vocês o celebrarão como um estatutuo perpétuo, de geração em geração” (Ex 12, 14).

O ritual da ceia judaica passa pela purificação, pela partilha do pão e do vinho e pela oração da bênção e a ação de graças. Relembrando as maravilhas de Deus na história, Ele é invocado como o Deus da aliança.

NO CULTO DO PASSADO,

O MEMORIAL DO PRESENTE

É no contexto do memorial e do compromisso com o Deus da Aliança que Jesus celebra a última ceia.

Os evangelhos sinóticos e também Paulo querem testemunhar o que aconteceu na última ceia, dando ênfase à celebração e ao memorial. Trazem presente uma refeição de partilha. Todos comem o mesmo pão e bebem do mesmo vinho. Jesus identifica o pão e o vinho com o seu corpo e o seu sangue, expressando a realidade da cruz, pela qual deverá passar em função de sua fidelidade ao Pai.

Jesus dá-se a si mesmo de forma visível e concreta. Tinha consciência do alcance de suas palavras: “Tomai e comei: isto é meu corpo” (Mc 14, 22; Mt 26, 20); “Tomai e bebei: este é o cálice da nova aliança...” (Lc 22, 20).

O Pão que ele estava repartindo com os seus não era um pão comum, mas o Pão da Vida. Comer deste pão é assumir o ideal do mestre: amar os outros até a partilha e doação suprema.

A memória da Santa Ceia é o grande momento da Igreja para recordar tudo o que Jesus disse e fez. Portanto, não é um ato isolado na vida de Jesus, mas como memória de uma vida totalmente doada a serviço dos outros.

É também celebração da memória dos mártires que, no seguimento fiel a Jesus, doaram sua vida pela causa do Reino.

Portanto, não é uma simples repetição de palavras. As palavras se tornam cheias do Espírito do Senhor e, por isso, eficazes porque se transformam em força, alimento, resistência e perseverança na construção do Reinado de Deus.

MEMÓRIA E COMPROMISSO

Sempre que celebramos a Santa Ceia fazemos memória, isto é, tornamos presente o que Jesus fez para nos salvar. Revivemos sua paixão, morte, ressurreição e glorificação. Quando Jesus realiza a ceia, pede para que seja feita em sua memória, isto é, aquilo que ele fez deve ser celebrado perpetuamente.

Realizá-la não será apenas uma repetição, uma saudade, mas será sempre re-viver, re-aplicar o grande mistério de um Deus que assumiu a nossa humanidade.

A partilha da ceia de Jesus fará parte de nossa vida se vivermos, a exemplo dele, o compromisso de solidariedade e amor incondicional aos irmãos.

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